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Como calcular o percentual de gordura com adipômetro

Por Equipe PounceFit · Atualizado em

Adipômetro e fita métrica sobre uma mesa
Foto: skamille (CC BY 2.0), via Flickr

Conteúdo técnico para profissionais de saúde e de educação física. Reproduz fórmulas e protocolos publicados na literatura científica, com as fontes no fim da página. Não é uma recomendação e não substitui o julgamento do profissional que faz a avaliação.

Para calcular o percentual de gordura com adipômetro, você mede as dobras cutâneas de um protocolo, soma os valores, aplica a equação do protocolo para obter a densidade corporal e converte a densidade em gordura pela equação de Siri: gordura (%) = (4,95 ÷ densidade − 4,50) × 100 (Siri, 1961). No Jackson & Pollock de 3 dobras, por exemplo, um homem de 35 anos com soma de 54 mm chega a 16,8% de gordura (Jackson e Pollock, 1978). O resultado é uma estimativa, com erro da ordem de 3 a 4 pontos percentuais em relação ao método de referência (Heyward e Wagner, 2004).

Passo 1: escolha o protocolo

Cada protocolo define quais dobras medir e qual equação usar, e foi feito numa amostra específica. Os protocolos com calculadora no site:

Protocolo Dobras Amostra original
Jackson & Pollock 7 dobras Peitoral, axilar média, tríceps, subescapular, abdominal, suprailíaca e coxa Homens de 18 a 61 anos e mulheres de 18 a 55 anos (Jackson e Pollock, 1978; Jackson, Pollock e Ward, 1980)
Jackson & Pollock 3 dobras Homens: peitoral, abdominal e coxa. Mulheres: tríceps, suprailíaca e coxa As mesmas dos estudos de 7 dobras
Guedes 3 dobras Homens: tríceps, suprailíaca e abdominal. Mulheres: coxa, suprailíaca e subescapular Universitários brasileiros (Guedes, 1985)
Durnin & Womersley 4 dobras Bíceps, tríceps, subescapular e suprailíaca 481 homens e mulheres de 16 a 72 anos (Durnin e Womersley, 1974)
Faulkner 4 dobras Tríceps, subescapular, suprailíaca e abdominal Equação publicada num capítulo sobre natação e mergulho (Faulkner, 1968)

Para decidir entre as versões de Jackson & Pollock, veja 3 dobras ou 7 dobras.

Passo 2: meça as dobras

  • Meça do lado direito, com o aluno em pé e relaxado (ACSM, 2021).
  • Localize e marque cada ponto pela descrição padronizada. Os pontos das 7 dobras estão em Jackson & Pollock 7 dobras.
  • Faça pelo menos duas medidas em cada ponto, em rodízio, e use a média; se as duas diferirem muito, meça de novo (ACSM, 2021).
  • Siga a técnica da ISAK para pinçar e ler o adipômetro, o que reduz a diferença entre medidas e entre avaliadores (Stewart e colaboradores, 2011).

Passo 3: some as dobras e calcule a densidade

Some as médias, em milímetros. A equação de densidade depende do protocolo. No Jackson & Pollock de 3 dobras, com S = soma das três dobras e idade em anos (Jackson e Pollock, 1978; Jackson, Pollock e Ward, 1980):

  • Homens: densidade = 1,10938 − 0,0008267 × S + 0,0000016 × S² − 0,0002574 × idade
  • Mulheres: densidade = 1,0994921 − 0,0009929 × S + 0,0000023 × S² − 0,0001392 × idade

Outros protocolos usam o logaritmo da soma, como Guedes (1985) e Durnin e Womersley (1974). As fórmulas de cada um estão nas calculadoras.

Passo 4: converta a densidade em gordura

A equação de Siri (1961) transforma a densidade em percentual de gordura:

Gordura (%) = (4,95 ÷ densidade − 4,50) × 100

Ela supõe densidades fixas para a massa gorda (0,90 g/cm³) e para a massa livre de gordura (1,10 g/cm³) (Siri, 1961). Em grupos em que a massa livre de gordura foge desse valor, como crianças e idosos, existem fórmulas de conversão próprias (Heyward e Wagner, 2004).

Passo 5: calcule as massas

  • Massa de gordura (kg) = peso × gordura (%) ÷ 100
  • Massa livre de gordura (kg) = peso − massa de gordura

Exemplo resolvido

Homem de 35 anos, 85 kg, protocolo Jackson & Pollock de 3 dobras. Médias das dobras (mm): peitoral 12, abdominal 24 e coxa 18.

  1. Soma: S = 12 + 24 + 18 = 54 mm; S² = 2.916.
  2. Densidade = 1,10938 − 0,0008267 × 54 + 0,0000016 × 2.916 − 0,0002574 × 35 = 1,10938 − 0,0446418 + 0,0046656 − 0,009009 = 1,0603948.
  3. Gordura = (4,95 ÷ 1,0603948 − 4,50) × 100 = 16,8%.
  4. Massa de gordura = 85 × 16,8 ÷ 100 = 14,3 kg. Massa livre de gordura = 85 − 14,3 = 70,7 kg.

A calculadora Jackson & Pollock 3 dobras e o app chegam a 16,8%, 14,3 kg e 70,7 kg com estes números. Um exemplo com 7 dobras está em Jackson & Pollock 7 dobras.

Limites do cálculo

  • Erro da equação. Mesmo com boa técnica, o erro fica da ordem de 3 a 4 pontos percentuais em relação ao método de referência (Heyward e Wagner, 2004).
  • População. Fora da faixa de idade e do perfil da amostra original, a precisão pode ser menor (Heyward e Wagner, 2004).
  • Técnica. Ponto de medida, forma de pinçar e adipômetro pesam no resultado (Stewart e colaboradores, 2011).
  • Comparação. Resultados de protocolos diferentes, ou de dobras e bioimpedância, não se comparam entre si. Veja bioimpedância ou dobras cutâneas.

Para ler o resultado ao lado de faixas de referência por sexo e idade, veja percentual de gordura ideal.

O cálculo no PounceFit

No PounceFit, software de avaliação física, o profissional escolhe o protocolo ao criar a avaliação, digita duas medidas por dobra e o app calcula a média, a soma, a densidade, o percentual de gordura e as massas, com os mesmos cálculos das calculadoras do site. O app aceita 10 dobras e cinco protocolos para avaliações novas: Jackson & Pollock de 7 e de 3 dobras, Guedes, Faulkner e Durnin & Womersley. Para anotar as medidas no papel, há a ficha de avaliação física em PDF.

Perguntas frequentes

Qual a fórmula para calcular o percentual de gordura pelas dobras?

Na maioria dos protocolos, são duas: uma equação de densidade corporal, que usa a soma das dobras (e, em alguns, a idade), e a equação de Siri, que converte a densidade em gordura: gordura (%) = (4,95 ÷ densidade − 4,50) × 100 (Siri, 1961). O protocolo de Faulkner é exceção: dá o percentual direto pela soma de quatro dobras (Faulkner, 1968).

Quantas vezes medir cada dobra?

Pelo menos duas, em rodízio entre os pontos, usando a média. Se as duas diferirem muito, meça de novo (ACSM, 2021).

Posso trocar de protocolo entre uma avaliação e outra?

Os resultados deixam de ser comparáveis, porque cada equação foi feita numa amostra diferente e erra de um jeito próprio (Heyward e Wagner, 2004). Mantenha o mesmo protocolo, o mesmo avaliador e o mesmo adipômetro nas reavaliações.

Dá para acompanhar só pela soma das dobras?

Dá. A soma em milímetros acompanha a mudança sem passar pela equação e sem o erro dela (Heyward e Wagner, 2004).

Fontes

  1. Jackson AS, Pollock ML. Generalized equations for predicting body density of men. British Journal of Nutrition. 1978;40(3):497-504. doi:10.1079/BJN19780152
  2. Jackson AS, Pollock ML, Ward A. Generalized equations for predicting body density of women. Medicine and Science in Sports and Exercise. 1980;12(3):175-181.
  3. Siri WE. Body composition from fluid spaces and density: analysis of methods. In: Brožek J, Henschel A, editores. Techniques for measuring body composition. Washington: National Academy of Sciences; 1961. p. 223-244.
  4. Durnin JVGA, Womersley J. Body fat assessed from total body density and its estimation from skinfold thickness: measurements on 481 men and women aged from 16 to 72 years. British Journal of Nutrition. 1974;32(1):77-97. doi:10.1079/BJN19740060
  5. Guedes DP. Estudo da gordura corporal através da mensuração dos valores de densidade corporal e da espessura de dobras cutâneas em universitários. Kinesis. 1985;1:183-212.
  6. Faulkner JA. Physiology of swimming and diving. In: Falls HB, editor. Exercise physiology. Nova York: Academic Press; 1968. p. 415-446.
  7. Heyward VH, Wagner DR. Applied body composition assessment. 2. ed. Champaign: Human Kinetics; 2004.
  8. American College of Sports Medicine. ACSM's guidelines for exercise testing and prescription. 11. ed. Filadélfia: Wolters Kluwer; 2021.
  9. Stewart A, Marfell-Jones M, Olds T, de Ridder H. International standards for anthropometric assessment. Lower Hutt: International Society for the Advancement of Kinanthropometry; 2011.