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Bioimpedância ou dobras cutâneas: qual escolher na avaliação física

Por Equipe PounceFit · Atualizado em

Mão pinçando uma dobra de pele do abdômen
Foto: 95Berlin (CC BY-SA 2.0), via Flickr

Conteúdo técnico para profissionais de saúde e de educação física. Reproduz fórmulas e protocolos publicados na literatura científica, com as fontes no fim da página. Não é uma recomendação e não substitui o julgamento do profissional que faz a avaliação.

Bioimpedância e dobras cutâneas são métodos de campo que estimam o percentual de gordura por caminhos diferentes: as dobras medem a espessura da pele e da gordura sob ela com um adipômetro, e a bioimpedância mede a resistência do corpo a uma corrente elétrica. Os dois erram alguns pontos percentuais em relação ao método de referência e dependem de coisas diferentes: as dobras, da técnica do avaliador; a bioimpedância, do aparelho, da equação e da hidratação (Heyward e Wagner, 2004; Kyle e colaboradores, 2004; Siedler e colaboradores, 2023). Os resultados dos dois métodos não se misturam: cada aluno é acompanhado sempre pelo mesmo.

Os dois métodos lado a lado

Dobras cutâneas Bioimpedância
O que mede Espessura de uma prega dupla de pele e gordura subcutânea, em pontos padronizados Resistência e reactância do corpo a uma corrente elétrica
Como chega à gordura Soma das dobras e idade numa equação de densidade corporal, convertida em gordura pela equação de Siri (Jackson e Pollock, 1978; Siri, 1961) Equação que estima a massa livre de gordura pela impedância, altura, peso, sexo e idade; a gordura é o restante do peso (Kyle e colaboradores, 2004, parte I)
Do que depende Ponto exato, forma de pinçar, adipômetro e treino do avaliador (Stewart e colaboradores, 2011) Aparelho, equação adequada à população, jejum, exercício recente e hidratação (Kyle e colaboradores, 2004, parte II)
Erro em relação ao método de referência Da ordem de 3 a 4 pontos percentuais (Heyward e Wagner, 2004) Erro padrão de 3,1 a 7,5 pontos entre 15 aparelhos (Siedler e colaboradores, 2023)
Repetibilidade Depende do avaliador; cada um tem o seu erro técnico de medida (Stewart e colaboradores, 2011) Alta: erro de precisão de 0 a 0,49% entre medidas repetidas (Siedler e colaboradores, 2023)

O que pesa na escolha

Técnica do avaliador. A dobra é uma medida manual. A padronização da ISAK existe para reduzir a diferença entre avaliadores e entre medidas do mesmo avaliador (Stewart e colaboradores, 2011). Na bioimpedância, o avaliador interfere menos na leitura, mas precisa controlar as condições da medida.

Condições do aluno. A bioimpedância é mais sensível ao estado do corpo no momento da medida. Comer ou beber pode reduzir a impedância em 4 a 15 ohms nas 2 a 4 horas seguintes, e logo depois do exercício a resistência cai cerca de 3% e a reactância cerca de 8%, voltando ao normal em uma hora (Kyle e colaboradores, 2004, parte II). As dobras não dependem do jejum nem da hidratação dessa forma.

Aparelho. Na bioimpedância, o aparelho pesa muito. No estudo de Siedler e colaboradores (2023), o erro médio de 15 aparelhos em relação ao modelo de quatro compartimentos foi de 3,5 pontos para menos a 11,7 pontos para mais, e os autores apontaram os aparelhos de oito eletrodos (mãos e pés) e alguns de pés entre os mais úteis para acompanhar a mudança ao longo do tempo. Detalhes em balança de bioimpedância é confiável?

População. Os dois métodos usam equações feitas em grupos específicos. As de Jackson e Pollock vieram de adultos norte-americanos da população geral (Jackson e Pollock, 1978). Na bioimpedância, a ESPEN pede uma equação validada para a idade, o sexo e a etnia de quem é avaliado, e não recomenda o uso de rotina em IMC extremo ou hidratação alterada (Kyle e colaboradores, 2004, parte II).

Dado bruto. As dobras deixam um dado bruto simples: a soma em milímetros, que também serve para acompanhar a mudança sem passar pela equação (Heyward e Wagner, 2004). Na bioimpedância, o dado bruto é a impedância em ohms.

Por que não misturar os resultados

Cada método se afasta do valor de referência de um jeito diferente, e esse afastamento muda de aparelho para aparelho e de equação para equação (Siedler e colaboradores, 2023; Heyward e Wagner, 2004). Se um aluno fez dobras numa avaliação e balança na seguinte, a diferença entre os dois números pode ser só do método. Para acompanhar a evolução, o que se compara é o mesmo método, com o mesmo aparelho ou adipômetro e o mesmo avaliador.

Os dois métodos no PounceFit

O PounceFit, software de avaliação física, trabalha com os dois. Ao criar uma avaliação, o profissional escolhe dobras cutâneas (com o protocolo) ou balança de bioimpedância, e o método não muda depois. Os gráficos de evolução separam os métodos, e balanças diferentes também não se misturam.

Para as dobras, veja como calcular o percentual de gordura com adipômetro e a calculadora Jackson & Pollock 7 dobras. Para entender a outra ponta, veja bioimpedância: o que é e como funciona.

Perguntas frequentes

Qual é mais preciso, bioimpedância ou dobras?

Depende do aparelho e do avaliador. As equações de dobras bem medidas erram da ordem de 3 a 4 pontos percentuais em relação ao método de referência (Heyward e Wagner, 2004). Entre 15 aparelhos de bioimpedância testados contra o modelo de quatro compartimentos, o erro padrão foi de 3,1 a 7,5 pontos, conforme o aparelho (Siedler e colaboradores, 2023).

Posso medir com a balança numa avaliação e com o adipômetro na seguinte?

Os números não ficam comparáveis. Cada método se afasta do valor de referência de um jeito próprio: na bioimpedância, o erro médio dos aparelhos foi de 3,5 pontos para menos a 11,7 pontos para mais (Siedler e colaboradores, 2023). Uma diferença entre duas avaliações feitas com métodos diferentes pode ser do método, e não do aluno.

Dá para usar os dois métodos no mesmo aluno?

Dá, desde que cada método tenha a sua própria série histórica. No PounceFit, cada avaliação é feita por dobras ou por balança, e os gráficos de evolução nunca misturam os dois.

Fontes

  1. Kyle UG, Bosaeus I, De Lorenzo AD, Deurenberg P, Elia M, Gómez JM, et al. Bioelectrical impedance analysis, part I: review of principles and methods. Clinical Nutrition. 2004;23(5):1226-1243. doi:10.1016/j.clnu.2004.06.004
  2. Kyle UG, Bosaeus I, De Lorenzo AD, Deurenberg P, Elia M, Gómez JM, et al. Bioelectrical impedance analysis, part II: utilization in clinical practice. Clinical Nutrition. 2004;23(6):1430-1453. doi:10.1016/j.clnu.2004.09.012
  3. Siedler MR, Rodriguez C, Stratton MT, Harty PS, Keith DS, Green JJ, et al. Assessing the reliability and cross-sectional and longitudinal validity of fifteen bioelectrical impedance analysis devices. British Journal of Nutrition. 2023;130(5):827-840. doi:10.1017/S0007114522003749
  4. Heyward VH, Wagner DR. Applied body composition assessment. 2. ed. Champaign: Human Kinetics; 2004.
  5. Jackson AS, Pollock ML. Generalized equations for predicting body density of men. British Journal of Nutrition. 1978;40(3):497-504. doi:10.1079/BJN19780152
  6. Siri WE. Body composition from fluid spaces and density: analysis of methods. In: Brožek J, Henschel A, editores. Techniques for measuring body composition. Washington: National Academy of Sciences; 1961. p. 223-244.
  7. Stewart A, Marfell-Jones M, Olds T, de Ridder H. International standards for anthropometric assessment. Lower Hutt: International Society for the Advancement of Kinanthropometry; 2011.