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Jackson e Pollock 3 ou 7 dobras: qual protocolo escolher

Por Equipe PounceFit · Atualizado em

Mão pinçando uma dobra de pele do abdômen
Foto: 95Berlin (CC BY-SA 2.0), via Flickr

Conteúdo técnico para profissionais de saúde e de educação física. Reproduz fórmulas e protocolos publicados na literatura científica, com as fontes no fim da página. Não é uma recomendação e não substitui o julgamento do profissional que faz a avaliação.

Entre 3 e 7 dobras de Jackson e Pollock, a precisão é parecida: as duas versões vêm dos mesmos estudos e, nas amostras originais, estimaram a densidade corporal com precisão semelhante (Jackson e Pollock, 1978; Jackson, Pollock e Ward, 1980). Use a de 3 dobras quando o tempo for curto ou o aluno preferir expor menos o tronco, e a de 7 dobras quando quiser diluir o efeito de uma dobra mal medida e cobrir mais regiões do corpo. O que pesa mais que a escolha é a constância: o mesmo protocolo, o mesmo avaliador e o mesmo adipômetro em todas as reavaliações.

As duas contas estão nas calculadoras de 3 dobras e de 7 dobras. No PounceFit, app de avaliação física para personal trainer, as duas versões estão disponíveis, e a de 7 dobras é o padrão.

De onde vêm as duas versões

Jackson e Pollock (1978) mediram dobras, perímetros e densidade corporal (por pesagem hidrostática) em 308 homens de 18 a 61 anos e validaram as equações em outra amostra de 95 homens. Com a soma de dobras na forma quadrática, mais a idade, as correlações passaram de 0,90, com erro padrão de cerca de 0,0073 g/ml. Na validação, o erro ficou perto de 0,0077 g/ml.

Jackson, Pollock e Ward (1980) repetiram o desenho com 249 mulheres de 18 a 55 anos. As equações com 3, 4 e 7 dobras tiveram correlações de 0,842 a 0,867 e erro padrão de 3,6 a 3,8 pontos percentuais de gordura. Na validação em 82 mulheres, o erro foi de 3,7 a 4,0 pontos. Os autores pediram cuidado com mulheres acima de 40 anos.

Em outras palavras: nos dados originais, passar de 3 para 7 dobras não reduziu o erro de forma relevante. A soma de 3 dobras escolhidas já carrega boa parte da informação da soma de 7.

As fórmulas por extenso

S é a soma das dobras do protocolo, em milímetros. A idade é em anos.

7 dobras (peitoral, axilar média, tríceps, subescapular, abdominal, suprailíaca e coxa):

  • Homens: densidade = 1,112 − 0,00043499 × S + 0,00000055 × S² − 0,00028826 × idade
  • Mulheres: densidade = 1,097 − 0,00046971 × S + 0,00000056 × S² − 0,00012828 × idade

3 dobras, homens (peitoral, abdominal e coxa):

  • Densidade = 1,10938 − 0,0008267 × S + 0,0000016 × S² − 0,0002574 × idade

3 dobras, mulheres (tríceps, suprailíaca e coxa):

  • Densidade = 1,0994921 − 0,0009929 × S + 0,0000023 × S² − 0,0001392 × idade

Nas duas versões, a densidade vira percentual de gordura pela equação de Siri (1961):

Gordura (%) = (4,95 ÷ densidade − 4,50) × 100

O PounceFit usa exatamente estes coeficientes e a conversão de Siri nas duas versões.

Comparação lado a lado

3 dobras 7 dobras
Dobras nos homens Peitoral, abdominal, coxa As 7
Dobras nas mulheres Tríceps, suprailíaca, coxa As 7
Tempo de coleta (2 medidas por ponto) 6 pinçadas 14 pinçadas
Peso de um erro em uma dobra Maior: entra numa soma menor Menor: se dilui na soma de 7
Regiões cobertas Duas ou três Tronco, braço e coxa
Amostra original 308 homens (18 a 61 anos) e 249 mulheres (18 a 55 anos), a mesma para as duas versões

Exemplo resolvido: as duas contas no mesmo aluno

Homem de 30 anos, 80 kg. Dobras (média das medidas, em mm): peitoral 10, axilar média 12, tríceps 11, subescapular 15, abdominal 22, suprailíaca 16 e coxa 14. É o mesmo aluno do artigo sobre as 7 dobras.

Pelas 7 dobras:

  1. S = 10 + 12 + 11 + 15 + 22 + 16 + 14 = 100 mm.
  2. Densidade = 1,112 − 0,043499 + 0,0055 − 0,0086478 = 1,0653532.
  3. Gordura = (4,95 ÷ 1,0653532 − 4,50) × 100 = 14,6%.

Pelas 3 dobras (peitoral, abdominal e coxa):

  1. S = 10 + 22 + 14 = 46 mm; S² = 2.116.
  2. Densidade = 1,10938 − 0,0008267 × 46 + 0,0000016 × 2.116 − 0,0002574 × 30 = 1,10938 − 0,0380282 + 0,0033856 − 0,007722 = 1,0670154.
  3. Gordura = (4,95 ÷ 1,0670154 − 4,50) × 100 = 13,9%.

Com as mesmas pinçadas, as duas versões diferem em 0,7 ponto percentual. Nenhuma está "errada": cada equação tem o seu erro em relação à pesagem hidrostática. O problema aparece quando o aluno é avaliado por uma versão e reavaliado pela outra. Uma queda de 14,6% para 13,9% pareceria mudança de composição corporal, e seria só a troca de equação.

Em mulheres o desvio pode ir para o outro lado. Uma mulher de 25 anos com tríceps 18, suprailíaca 14, coxa 25, peitoral 8, axilar média 10, subescapular 14 e abdominal 20 mm tem 21,8% pelas 7 dobras (S = 109 mm) e 22,8% pelas 3 dobras (S = 57 mm). As contas completas da versão de 3 dobras estão na calculadora de Jackson & Pollock 3 dobras.

Quando escolher a de 3 dobras

  • Tempo curto ou muitas avaliações seguidas. São 3 pontos em vez de 7.
  • Aluno que prefere não expor o tronco. Nas mulheres, a versão de 3 dobras dispensa peitoral, axilar média, subescapular e abdominal.
  • Avaliador ainda em treino. Menos pontos para localizar e marcar. Mas cada erro pesa mais no resultado, então treine a técnica antes de confiar nos números.

Quando escolher a de 7 dobras

  • Quando a técnica varia. Um erro de 2 mm em uma dobra muda uma soma de 46 mm em mais de 4%; numa soma de 100 mm, em 2%.
  • Quando você quer olhar a distribuição. As 7 dobras mostram tronco, braço e coxa. Isso ajuda a ler para onde vai a mudança entre avaliações, olhando dobra por dobra.
  • Quando o padrão do serviço já é 7 dobras. Trocar de protocolo quebra o histórico dos alunos.

Limites das duas versões

  • População de origem. Adultos norte-americanos da população geral, nas faixas de idade citadas. Fora delas, e em grupos com composição muito diferente, o erro tende a crescer (Heyward e Wagner, 2004).
  • Equações não são intercambiáveis. Em 2.458 adultos ativos, fórmulas diferentes aplicadas às mesmas dobras deram médias de gordura muito distantes entre si, e os autores recomendam usar sempre a mesma fórmula quando os resultados forem comparados (Vaquero-Cristóbal e colaboradores, 2020). Esse estudo não incluiu Jackson & Pollock, mas a lógica vale para qualquer troca de equação.
  • Pontos de medida. Siga os pontos descritos pelo ACSM (2021) e meça sempre do lado direito. A suprailíaca, em especial, muda de lugar conforme o padrão adotado.
  • Acompanhamento. A soma das dobras em milímetros acompanha a mudança sem depender da equação (Heyward e Wagner, 2004).

Perguntas frequentes

A versão de 7 dobras é mais precisa que a de 3?

Nos estudos originais, a diferença foi pequena. Nos homens, todas as equações tiveram correlação acima de 0,90 com a densidade medida na pesagem hidrostática e erro padrão perto de 0,0073 g/ml (Jackson e Pollock, 1978). Nas mulheres, as equações de 3, 4 e 7 dobras ficaram entre 3,6 e 3,8 pontos percentuais de erro padrão (Jackson, Pollock e Ward, 1980). A vantagem da de 7 dobras é prática: um erro de medida em um ponto pesa menos na soma.

Posso avaliar com 7 dobras e reavaliar com 3?

Não convém. As duas versões dão números diferentes para a mesma pessoa no mesmo dia, e a diferença entre elas se confunde com a mudança real. Para comparar avaliações, mantenha o mesmo protocolo (Vaquero-Cristóbal e colaboradores, 2020).

Por que as dobras de 3 pontos mudam entre homens e mulheres?

Porque cada estudo escolheu as dobras que, combinadas, melhor previam a densidade naquele sexo. Nos homens ficaram peitoral, abdominal e coxa (Jackson e Pollock, 1978). Nas mulheres, tríceps, suprailíaca e coxa (Jackson, Pollock e Ward, 1980).

Qual o PounceFit usa por padrão?

O PounceFit usa a de 7 dobras como padrão, mas deixa escolher a de 3 em cada avaliação. As duas usam as mesmas equações dos artigos originais e a conversão de Siri (1961).

Fontes

  1. Jackson AS, Pollock ML. Generalized equations for predicting body density of men. British Journal of Nutrition. 1978;40(3):497-504. doi:10.1079/BJN19780152
  2. Jackson AS, Pollock ML, Ward A. Generalized equations for predicting body density of women. Medicine and Science in Sports and Exercise. 1980;12(3):175-181.
  3. Siri WE. Body composition from fluid spaces and density: analysis of methods. In: Brožek J, Henschel A, editores. Techniques for measuring body composition. Washington: National Academy of Sciences; 1961. p. 223-244.
  4. Vaquero-Cristóbal R, Albaladejo-Saura M, Luna-Badachi AE, Esparza-Ros F. Differences in fat mass estimation formulas in physically active adult population and relationship with sums of skinfolds. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2020;17(21):7777. doi:10.3390/ijerph17217777
  5. Heyward VH, Wagner DR. Applied body composition assessment. 2. ed. Champaign: Human Kinetics; 2004.
  6. American College of Sports Medicine. ACSM's guidelines for exercise testing and prescription. 11. ed. Filadélfia: Wolters Kluwer; 2021.