Protocolo de 7 dobras de Jackson e Pollock: fórmula e calculadora
Por Equipe PounceFit · Atualizado em

Conteúdo técnico para profissionais de saúde e de educação física. Reproduz fórmulas e protocolos publicados na literatura científica, com as fontes no fim da página. Não é uma recomendação e não substitui o julgamento do profissional que faz a avaliação.
O protocolo de 7 dobras de Jackson e Pollock estima o percentual de gordura corporal pela soma de sete dobras cutâneas e pela idade: uma equação calcula a densidade corporal, com uma versão para homens e outra para mulheres, e a equação de Siri converte a densidade em percentual de gordura (Jackson e Pollock, 1978; Jackson, Pollock e Ward, 1980; Siri, 1961). As sete dobras são peitoral, axilar média, tríceps, subescapular, abdominal, suprailíaca e coxa. Para fazer a conta, use a calculadora de 7 dobras.
É o protocolo padrão do PounceFit, software de avaliação física, para avaliações por adipômetro. Para anotar as medidas no papel, a ficha de avaliação física em PDF traz os campos das 7 dobras.
As fórmulas por extenso
S é a soma das sete dobras, em milímetros. A idade é em anos completos.
Homens (Jackson e Pollock, 1978):
Densidade corporal = 1,112 − 0,00043499 × S + 0,00000055 × S² − 0,00028826 × idade
Mulheres (Jackson, Pollock e Ward, 1980):
Densidade corporal = 1,097 − 0,00046971 × S + 0,00000056 × S² − 0,00012828 × idade
Conversão para percentual de gordura (Siri, 1961):
Gordura (%) = (4,95 ÷ densidade − 4,50) × 100
Com o percentual e a massa corporal, saem a massa de gordura (massa × percentual ÷ 100) e a massa livre de gordura (massa − massa de gordura).
Onde medir cada dobra
A tabela resume os pontos descritos pelo ACSM (2021). Meça do lado direito, com o aluno em pé e relaxado.
| Dobra | Direção | Ponto de medida |
|---|---|---|
| Peitoral | Diagonal | Homens: metade da distância entre a linha axilar anterior e o mamilo. Mulheres: um terço dessa distância, a partir da linha axilar. |
| Axilar média | Vertical | Linha axilar média, na altura do processo xifoide do esterno. |
| Tríceps | Vertical | Face posterior do braço, no ponto médio entre o acrômio e o olécrano. |
| Subescapular | Diagonal (cerca de 45°) | 1 a 2 cm abaixo do ângulo inferior da escápula. |
| Abdominal | Vertical | 2 cm à direita do umbigo. |
| Suprailíaca | Diagonal | Logo acima da crista ilíaca, na linha axilar anterior. No PounceFit, aparece como "Ilíaca". |
| Coxa | Vertical | Face anterior, no ponto médio entre a prega inguinal e a borda superior da patela. |
Faça pelo menos duas medidas em cada ponto, em rodízio, e use a média. Se as duas diferirem muito, meça de novo (ACSM, 2021). O PounceFit pede duas medidas por dobra e calcula a média sozinho.
Exemplo resolvido
Homem de 30 anos, 80 kg, com estas dobras (média das medidas, em mm): peitoral 10, axilar média 12, tríceps 11, subescapular 15, abdominal 22, suprailíaca 16 e coxa 14.
- Soma das dobras: S = 10 + 12 + 11 + 15 + 22 + 16 + 14 = 100 mm.
- S² = 10.000.
- Densidade = 1,112 − 0,00043499 × 100 + 0,00000055 × 10.000 − 0,00028826 × 30 = 1,112 − 0,043499 + 0,0055 − 0,0086478 = 1,0653532.
- Gordura = (4,95 ÷ 1,0653532 − 4,50) × 100 = 14,6%.
- Massa de gordura = 80 × 14,6 ÷ 100 = 11,7 kg. Massa livre de gordura = 80 − 11,7 = 68,3 kg.
A calculadora e o app chegam a 14,63%, 11,7 kg e 68,3 kg com estes mesmos números.
Limites do método
- População de origem. As equações vieram de adultos norte-americanos da população geral, com densidade medida por pesagem hidrostática: 308 homens de 18 a 61 anos e 249 mulheres de 18 a 55 anos (Jackson e Pollock, 1978; Jackson, Pollock e Ward, 1980). Em outras populações e faixas etárias, a precisão pode ser menor (Heyward e Wagner, 2004).
- Erro da estimativa. Mesmo bem medidas, as equações de dobras estimam a gordura com erro da ordem de 3 a 4 pontos percentuais em relação ao método de referência (Heyward e Wagner, 2004). O resultado é uma estimativa, não uma medida direta.
- Conversão de Siri. A equação de Siri supõe densidades fixas para a massa gorda (0,90 g/cm³) e para a massa livre de gordura (1,10 g/cm³) (Siri, 1961). Em grupos em que a massa livre de gordura foge desse valor, como crianças e idosos, existem fórmulas de conversão próprias (Heyward e Wagner, 2004).
- Técnica. Avaliador, adipômetro e ponto de medida pesam muito no resultado. A padronização da ISAK (Stewart e colaboradores, 2011) e o treino do avaliador reduzem essa variação.
- Acompanhamento. Para comparar avaliações, mantenha o mesmo protocolo, o mesmo avaliador e o mesmo adipômetro. A soma das dobras, em milímetros, também serve para acompanhar a mudança sem passar pela equação (Heyward e Wagner, 2004).
Se estiver em dúvida entre as versões, veja Jackson & Pollock 3 dobras ou 7 dobras.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre Jackson & Pollock de 7 e de 3 dobras?
As duas versões vêm dos mesmos estudos (Jackson e Pollock, 1978; Jackson, Pollock e Ward, 1980) e usam a mesma ideia: densidade corporal pela soma das dobras e pela idade, convertida em gordura pela equação de Siri. A de 3 dobras é mais rápida e usa pontos diferentes para homens e mulheres. A de 7 dobras mede mais regiões do corpo, o que reduz o peso de uma única dobra mal medida no resultado.
Posso usar este protocolo em atletas ou em adolescentes?
As equações foram desenvolvidas com adultos da população geral: homens de 18 a 61 anos e mulheres de 18 a 55 anos (Jackson e Pollock, 1978; Jackson, Pollock e Ward, 1980). Fora dessas faixas, ou em grupos com composição muito diferente, o erro tende a ser maior, e existem equações específicas para alguns grupos (Heyward e Wagner, 2004). Registre o protocolo usado e mantenha o mesmo nas reavaliações.
Por que dois avaliadores chegam a resultados diferentes no mesmo aluno?
Porque a dobra depende do ponto exato, da forma de pinçar a pele e do tempo de leitura do adipômetro. A padronização da ISAK existe para reduzir essa diferença (Stewart e colaboradores, 2011). Na prática, o mesmo avaliador, com o mesmo adipômetro e a mesma técnica, é o que torna as reavaliações comparáveis.
Qual lado do corpo devo medir?
O lado direito, como recomendam o ACSM (2021) e a ISAK (Stewart e colaboradores, 2011). O importante é medir sempre o mesmo lado em todas as avaliações do aluno.
Por que Siri e não Brozek para converter a densidade?
As duas equações convertem densidade em gordura pelo modelo de dois compartimentos e dão valores próximos na faixa usual de densidade (Heyward e Wagner, 2004). O PounceFit usa Siri (1961), a conversão adotada nos estudos de Jackson e Pollock.
Fontes
- Jackson AS, Pollock ML. Generalized equations for predicting body density of men. British Journal of Nutrition. 1978;40(3):497-504. doi:10.1079/BJN19780152
- Jackson AS, Pollock ML, Ward A. Generalized equations for predicting body density of women. Medicine and Science in Sports and Exercise. 1980;12(3):175-181.
- Siri WE. Body composition from fluid spaces and density: analysis of methods. In: Brožek J, Henschel A, editores. Techniques for measuring body composition. Washington: National Academy of Sciences; 1961. p. 223-244.
- Heyward VH, Wagner DR. Applied body composition assessment. 2. ed. Champaign: Human Kinetics; 2004.
- American College of Sports Medicine. ACSM's guidelines for exercise testing and prescription. 11. ed. Filadélfia: Wolters Kluwer; 2021.
- Stewart A, Marfell-Jones M, Olds T, de Ridder H. International standards for anthropometric assessment. Lower Hutt: International Society for the Advancement of Kinanthropometry; 2011.