Percentual de gordura ideal: tabela por sexo e idade
Por Equipe PounceFit · Atualizado em

Conteúdo técnico para profissionais de saúde e de educação física. Reproduz fórmulas e protocolos publicados na literatura científica, com as fontes no fim da página. Não é uma recomendação e não substitui o julgamento do profissional que faz a avaliação.
O percentual de gordura ideal muda com o sexo e a idade, e por isso não existe um número único. Na tabela de Gallagher e colaboradores (2000), a faixa saudável vai de 21% a 33% para mulheres de 20 a 39 anos e de 8% a 20% para homens da mesma idade, subindo um pouco nas faixas de idade seguintes. São faixas de referência para adultos, propostas a partir do IMC, e não um diagnóstico.
A tabela por sexo e idade
Valores em percentual de gordura corporal, para adultos brancos e afro-americanos (Gallagher e colaboradores, 2000, tabela 4):
| Sexo e idade | Abaixo da faixa | Faixa saudável | Sobrepeso | Obesidade |
|---|---|---|---|---|
| Mulheres, 20 a 39 anos | menos de 21% | 21% a 33% | 33% a 39% | 39% ou mais |
| Mulheres, 40 a 59 anos | menos de 23% | 23% a 34% | 34% a 40% | 40% ou mais |
| Mulheres, 60 a 79 anos | menos de 24% | 24% a 36% | 36% a 42% | 42% ou mais |
| Homens, 20 a 39 anos | menos de 8% | 8% a 20% | 20% a 25% | 25% ou mais |
| Homens, 40 a 59 anos | menos de 11% | 11% a 22% | 22% a 28% | 28% ou mais |
| Homens, 60 a 79 anos | menos de 13% | 13% a 25% | 25% a 30% | 30% ou mais |
Para asiáticos, o mesmo estudo traz uma tabela própria, com limites mais altos para o mesmo IMC (Gallagher e colaboradores, 2000, tabela 5):
| Sexo e idade | Abaixo da faixa | Faixa saudável | Sobrepeso | Obesidade |
|---|---|---|---|---|
| Mulheres, 20 a 39 anos | menos de 25% | 25% a 35% | 35% a 40% | 40% ou mais |
| Mulheres, 40 a 59 anos | menos de 25% | 25% a 35% | 35% a 41% | 41% ou mais |
| Mulheres, 60 a 79 anos | menos de 25% | 25% a 36% | 36% a 41% | 41% ou mais |
| Homens, 20 a 39 anos | menos de 13% | 13% a 23% | 23% a 28% | 28% ou mais |
| Homens, 40 a 59 anos | menos de 13% | 13% a 24% | 24% a 29% | 29% ou mais |
| Homens, 60 a 79 anos | menos de 14% | 14% a 24% | 24% a 29% | 29% ou mais |
De onde vêm esses números
Gallagher e colaboradores (2000) mediram a gordura de 1.626 adultos com IMC até 35, em três centros: Cambridge (Reino Unido), Columbia (Estados Unidos) e Jikei (Japão). A gordura foi medida por métodos de referência: o modelo de quatro compartimentos em dois laboratórios e a absorciometria por raios X de dupla energia (DXA) nos três.
Com esses dados, os autores criaram equações que preveem o percentual de gordura pelo IMC, pela idade, pelo sexo e pelo grupo étnico. Depois aplicaram as equações nos limites de IMC usados pela OMS e pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos: 18,5 (baixo peso), 25 (sobrepeso) e 30 (obesidade). O percentual de gordura previsto em cada limite virou o limite da tabela. Os próprios autores chamam essas faixas de provisórias, uma base para chegar a faixas internacionais.
Limites da tabela
- Origem no IMC. As faixas traduzem os limites de IMC em gordura. Não foram tiradas de desfechos de saúde medidos diretamente pelo percentual de gordura (Gallagher e colaboradores, 2000).
- Faixa de baixo. Havia poucas pessoas com IMC abaixo de 18,5 na amostra, e os autores avisam que os limites inferiores têm intervalos de confiança largos e devem ser usados com cautela (Gallagher e colaboradores, 2000).
- População. A amostra não incluiu brasileiros, e o grupo étnico mudou os resultados, a ponto de os asiáticos ganharem uma tabela própria (Gallagher e colaboradores, 2000).
- Idade. A tabela começa aos 20 anos e vai até 79.
- Erro do método de campo. A tabela usa gordura medida em laboratório. Na avaliação do dia a dia, o percentual vem de um método de campo, com erro próprio: as equações de dobras cutâneas erram da ordem de 3 a 4 pontos percentuais em relação ao método de referência (Heyward e Wagner, 2004), e as balanças de bioimpedância testadas por Siedler e colaboradores (2023) tiveram erro padrão de 3,1 a 7,5 pontos. Um valor perto de um limite pode cair do outro lado dele.
Como o percentual entra na avaliação
O percentual de gordura vem de um método de estimativa, como as dobras cutâneas com adipômetro ou a bioimpedância. Para o cálculo por dobras, veja como calcular o percentual de gordura com adipômetro ou use a calculadora Jackson & Pollock 7 dobras. Para comparar os dois caminhos, veja bioimpedância ou dobras cutâneas.
No PounceFit, software de avaliação física, o resultado de cada avaliação já sai com uma classificação do percentual de gordura por sexo e faixa de idade, com uma escala de sete faixas que não é a desta tabela. O app registra também a meta de percentual de cada aluno, definida pelo profissional.
Perguntas frequentes
Qual o percentual de gordura ideal feminino?
Na tabela de Gallagher e colaboradores (2000), a faixa considerada saudável para mulheres vai de 21% a 33% entre 20 e 39 anos, de 23% a 34% entre 40 e 59 anos e de 24% a 36% entre 60 e 79 anos. Os valores valem para a amostra de mulheres brancas e afro-americanas; para asiáticas, os limites são um pouco mais altos.
Qual o percentual de gordura ideal masculino?
Na mesma tabela, a faixa saudável para homens vai de 8% a 20% entre 20 e 39 anos, de 11% a 22% entre 40 e 59 anos e de 13% a 25% entre 60 e 79 anos (Gallagher e colaboradores, 2000).
Por que a faixa sobe com a idade?
Porque, no estudo, para um mesmo IMC, as pessoas mais velhas tinham percentual de gordura maior (Gallagher e colaboradores, 2000). Como a tabela foi feita a partir dos limites de IMC, a faixa de gordura correspondente sobe com a idade.
A tabela vale para adolescentes e atletas?
Ela cobre adultos de 20 a 79 anos, com IMC até 35, de uma amostra da população geral (Gallagher e colaboradores, 2000). Para menores de 20 anos ela não se aplica, e em grupos muito diferentes da amostra o enquadramento deve ser lido com cuidado.
Fontes
- Gallagher D, Heymsfield SB, Heo M, Jebb SA, Murgatroyd PR, Sakamoto Y. Healthy percentage body fat ranges: an approach for developing guidelines based on body mass index. American Journal of Clinical Nutrition. 2000;72(3):694-701. doi:10.1093/ajcn/72.3.694
- Heyward VH, Wagner DR. Applied body composition assessment. 2. ed. Champaign: Human Kinetics; 2004.
- Siedler MR, Rodriguez C, Stratton MT, Harty PS, Keith DS, Green JJ, et al. Assessing the reliability and cross-sectional and longitudinal validity of fifteen bioelectrical impedance analysis devices. British Journal of Nutrition. 2023;130(5):827-840. doi:10.1017/S0007114522003749