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Como fazer uma avaliação física completa: passo a passo

Por Equipe PounceFit · Atualizado em

Profissional acompanhando uma aluna em exercício com halteres
Foto: PTPioneer (CC BY 2.0), via Flickr

Conteúdo técnico para profissionais de saúde e de educação física. Reproduz fórmulas e protocolos publicados na literatura científica, com as fontes no fim da página. Não é uma recomendação e não substitui o julgamento do profissional que faz a avaliação.

Uma avaliação física completa segue uma ordem fixa: triagem e anamnese, medidas básicas (peso e altura), composição corporal por dobras cutâneas ou bioimpedância, perímetros, medidas de repouso e testes, registro e, por fim, a reavaliação nas mesmas condições. A triagem do ACSM olha o nível de atividade, os sinais, sintomas e doenças conhecidas e a intensidade pretendida (Riebe e colaboradores, 2015); as medidas seguem padrões publicados, como os da ISAK (Stewart e colaboradores, 2011). O valor da avaliação está em poder comparar uma com a seguinte.

1. Triagem e anamnese

A triagem pré-participação do ACSM busca identificar quem tem risco maior de evento cardiovascular durante o exercício. Desde 2015, ela se baseia em três fatores (Riebe e colaboradores, 2015):

  1. O nível atual de atividade física do aluno.
  2. A presença de sinais ou sintomas, ou de doença cardiovascular, metabólica ou renal conhecida.
  3. A intensidade de exercício pretendida.

Na anamnese, o profissional registra também o objetivo do aluno e o que pode interferir nas medidas. Para a bioimpedância, a ESPEN pede registrar implantes metálicos, marcapasso ou desfibrilador e, nas mulheres, a fase do ciclo menstrual (Kyle e colaboradores, 2004, parte II).

2. Peso e altura

Peso e altura entram em quase todos os cálculos de composição corporal. Meça os dois na hora, em vez de usar o valor informado pelo aluno: a ESPEN pede altura com precisão de 0,5 cm e peso com precisão de 0,1 kg, e considera os valores informados pelo próprio avaliado não válidos (Kyle e colaboradores, 2004, parte II).

3. Composição corporal: dobras ou bioimpedância

Escolha um método e mantenha o mesmo nas reavaliações. As diferenças entre os dois estão em bioimpedância ou dobras cutâneas.

Dobras cutâneas. Escolha o protocolo de acordo com o aluno. As equações de Jackson e Pollock, por exemplo, vieram de adultos da população geral (Jackson e Pollock, 1978). Meça do lado direito, faça pelo menos duas medidas por ponto, em rodízio, e use a média (ACSM, 2021). O passo a passo do cálculo está em como calcular o percentual de gordura com adipômetro.

Bioimpedância. Siga as condições da ESPEN: jejum, bexiga vazia, sem exercício antes e no mesmo horário nas medidas repetidas (Kyle e colaboradores, 2004, parte II). Veja balança de bioimpedância é confiável?

Com o percentual em mãos, o resultado pode ser lido ao lado de faixas de referência, como as de percentual de gordura ideal por sexo e idade.

4. Perímetros

Meça com fita flexível e inextensível, perpendicular ao segmento, sem afundar a pele, seguindo os pontos da ISAK (Stewart e colaboradores, 2011). A cintura tem mais de um padrão: a OMS mede no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca (OMS, 2011), e a ISAK no ponto mais estreito (Stewart e colaboradores, 2011). Anote qual foi usado. Detalhes em perímetros corporais.

5. Medidas de repouso e testes

Conforme o objetivo, a avaliação inclui frequência cardíaca e pressão arterial de repouso, testes de força e de capacidade aeróbia. Veja frequência cardíaca máxima e de reserva, estimativa de 1RM e testes de campo de VO₂máx.

6. Registro

Anote tudo de forma que a próxima avaliação possa repetir: protocolo de dobras, aparelho, lado medido, horário e condições do aluno. Uma ficha de avaliação física em PDF ajuda a manter a mesma ordem em todas as avaliações.

7. Reavaliação

A reavaliação só mostra a mudança do aluno se repetir as condições da primeira: o mesmo método, o mesmo avaliador, o mesmo adipômetro ou balança e, na bioimpedância, o mesmo horário (Heyward e Wagner, 2004; Kyle e colaboradores, 2004, parte II).

Diferenças pequenas podem ser só erro de medida. Na bioimpedância, a ESPEN considera limitada a avaliação de mudanças menores que 1,5 a 2 kg (Kyle e colaboradores, 2004, parte II). Nos perímetros e nas dobras, cada avaliador tem um erro técnico de medida próprio, calculado com medidas repetidas (Stewart e colaboradores, 2011).

A avaliação completa no PounceFit

O PounceFit, software de avaliação física, segue essa ordem em abas: antropometria, perímetros, dobras ou balança, pressão e frequência cardíaca, força, exames e fotos (frente, costas e os dois perfis). No cadastro do aluno ficam sexo, data de nascimento, etnia, altura, observações e meta. Ao concluir, o app lista o que falta, calcula o resultado, gera o relatório em PDF e cria o lembrete da próxima avaliação; a tela Comparar mostra duas avaliações lado a lado.

Para o dia a dia de quem atende, veja avaliação física para personal trainer e avaliação física para nutricionista.

Perguntas frequentes

O que perguntar na anamnese da avaliação física?

Na triagem pré-participação do ACSM, três fatores definem a conduta: o nível atual de atividade física, a presença de sinais ou sintomas ou de doença cardiovascular, metabólica ou renal conhecida, e a intensidade de exercício pretendida (Riebe e colaboradores, 2015). Para os métodos de composição corporal, também entram dados como implantes metálicos e, nas mulheres, a fase do ciclo menstrual quando se usa bioimpedância (Kyle e colaboradores, 2004, parte II).

Com que frequência reavaliar?

O intervalo é decisão do profissional. O que as referências pedem é que a reavaliação repita o método, o avaliador, o aparelho e as condições da primeira, para que a diferença seja do aluno e não da medida (Heyward e Wagner, 2004; Kyle e colaboradores, 2004, parte II). No PounceFit, ao concluir uma avaliação, o profissional escolhe a data da próxima (30, 60 ou 90 dias, ou outra data), e o app cria um lembrete.

Preciso de uma ficha impressa?

Não é obrigatório, mas ajuda a manter a mesma ordem em todas as avaliações. Há uma ficha de avaliação física grátis em PDF, com as 7 dobras de Jackson & Pollock, perímetros e pressão.

Fontes

  1. Riebe D, Franklin BA, Thompson PD, Garber CE, Whitfield GP, Magal M, Pescatello LS. Updating ACSM's recommendations for exercise preparticipation health screening. Medicine and Science in Sports and Exercise. 2015;47(11):2473-2479. doi:10.1249/MSS.0000000000000664
  2. American College of Sports Medicine. ACSM's guidelines for exercise testing and prescription. 11. ed. Filadélfia: Wolters Kluwer; 2021.
  3. Kyle UG, Bosaeus I, De Lorenzo AD, Deurenberg P, Elia M, Gómez JM, et al. Bioelectrical impedance analysis, part II: utilization in clinical practice. Clinical Nutrition. 2004;23(6):1430-1453. doi:10.1016/j.clnu.2004.09.012
  4. Stewart A, Marfell-Jones M, Olds T, de Ridder H. International standards for anthropometric assessment. Lower Hutt: International Society for the Advancement of Kinanthropometry; 2011.
  5. World Health Organization. Waist circumference and waist-hip ratio: report of a WHO expert consultation, Geneva, 8-11 December 2008. Genebra: WHO; 2011.
  6. Heyward VH, Wagner DR. Applied body composition assessment. 2. ed. Champaign: Human Kinetics; 2004.
  7. Jackson AS, Pollock ML. Generalized equations for predicting body density of men. British Journal of Nutrition. 1978;40(3):497-504. doi:10.1079/BJN19780152