Como fazer uma avaliação física completa: passo a passo
Por Equipe PounceFit · Atualizado em

Conteúdo técnico para profissionais de saúde e de educação física. Reproduz fórmulas e protocolos publicados na literatura científica, com as fontes no fim da página. Não é uma recomendação e não substitui o julgamento do profissional que faz a avaliação.
Uma avaliação física completa segue uma ordem fixa: triagem e anamnese, medidas básicas (peso e altura), composição corporal por dobras cutâneas ou bioimpedância, perímetros, medidas de repouso e testes, registro e, por fim, a reavaliação nas mesmas condições. A triagem do ACSM olha o nível de atividade, os sinais, sintomas e doenças conhecidas e a intensidade pretendida (Riebe e colaboradores, 2015); as medidas seguem padrões publicados, como os da ISAK (Stewart e colaboradores, 2011). O valor da avaliação está em poder comparar uma com a seguinte.
1. Triagem e anamnese
A triagem pré-participação do ACSM busca identificar quem tem risco maior de evento cardiovascular durante o exercício. Desde 2015, ela se baseia em três fatores (Riebe e colaboradores, 2015):
- O nível atual de atividade física do aluno.
- A presença de sinais ou sintomas, ou de doença cardiovascular, metabólica ou renal conhecida.
- A intensidade de exercício pretendida.
Na anamnese, o profissional registra também o objetivo do aluno e o que pode interferir nas medidas. Para a bioimpedância, a ESPEN pede registrar implantes metálicos, marcapasso ou desfibrilador e, nas mulheres, a fase do ciclo menstrual (Kyle e colaboradores, 2004, parte II).
2. Peso e altura
Peso e altura entram em quase todos os cálculos de composição corporal. Meça os dois na hora, em vez de usar o valor informado pelo aluno: a ESPEN pede altura com precisão de 0,5 cm e peso com precisão de 0,1 kg, e considera os valores informados pelo próprio avaliado não válidos (Kyle e colaboradores, 2004, parte II).
3. Composição corporal: dobras ou bioimpedância
Escolha um método e mantenha o mesmo nas reavaliações. As diferenças entre os dois estão em bioimpedância ou dobras cutâneas.
Dobras cutâneas. Escolha o protocolo de acordo com o aluno. As equações de Jackson e Pollock, por exemplo, vieram de adultos da população geral (Jackson e Pollock, 1978). Meça do lado direito, faça pelo menos duas medidas por ponto, em rodízio, e use a média (ACSM, 2021). O passo a passo do cálculo está em como calcular o percentual de gordura com adipômetro.
Bioimpedância. Siga as condições da ESPEN: jejum, bexiga vazia, sem exercício antes e no mesmo horário nas medidas repetidas (Kyle e colaboradores, 2004, parte II). Veja balança de bioimpedância é confiável?
Com o percentual em mãos, o resultado pode ser lido ao lado de faixas de referência, como as de percentual de gordura ideal por sexo e idade.
4. Perímetros
Meça com fita flexível e inextensível, perpendicular ao segmento, sem afundar a pele, seguindo os pontos da ISAK (Stewart e colaboradores, 2011). A cintura tem mais de um padrão: a OMS mede no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca (OMS, 2011), e a ISAK no ponto mais estreito (Stewart e colaboradores, 2011). Anote qual foi usado. Detalhes em perímetros corporais.
5. Medidas de repouso e testes
Conforme o objetivo, a avaliação inclui frequência cardíaca e pressão arterial de repouso, testes de força e de capacidade aeróbia. Veja frequência cardíaca máxima e de reserva, estimativa de 1RM e testes de campo de VO₂máx.
6. Registro
Anote tudo de forma que a próxima avaliação possa repetir: protocolo de dobras, aparelho, lado medido, horário e condições do aluno. Uma ficha de avaliação física em PDF ajuda a manter a mesma ordem em todas as avaliações.
7. Reavaliação
A reavaliação só mostra a mudança do aluno se repetir as condições da primeira: o mesmo método, o mesmo avaliador, o mesmo adipômetro ou balança e, na bioimpedância, o mesmo horário (Heyward e Wagner, 2004; Kyle e colaboradores, 2004, parte II).
Diferenças pequenas podem ser só erro de medida. Na bioimpedância, a ESPEN considera limitada a avaliação de mudanças menores que 1,5 a 2 kg (Kyle e colaboradores, 2004, parte II). Nos perímetros e nas dobras, cada avaliador tem um erro técnico de medida próprio, calculado com medidas repetidas (Stewart e colaboradores, 2011).
A avaliação completa no PounceFit
O PounceFit, software de avaliação física, segue essa ordem em abas: antropometria, perímetros, dobras ou balança, pressão e frequência cardíaca, força, exames e fotos (frente, costas e os dois perfis). No cadastro do aluno ficam sexo, data de nascimento, etnia, altura, observações e meta. Ao concluir, o app lista o que falta, calcula o resultado, gera o relatório em PDF e cria o lembrete da próxima avaliação; a tela Comparar mostra duas avaliações lado a lado.
Para o dia a dia de quem atende, veja avaliação física para personal trainer e avaliação física para nutricionista.
Perguntas frequentes
O que perguntar na anamnese da avaliação física?
Na triagem pré-participação do ACSM, três fatores definem a conduta: o nível atual de atividade física, a presença de sinais ou sintomas ou de doença cardiovascular, metabólica ou renal conhecida, e a intensidade de exercício pretendida (Riebe e colaboradores, 2015). Para os métodos de composição corporal, também entram dados como implantes metálicos e, nas mulheres, a fase do ciclo menstrual quando se usa bioimpedância (Kyle e colaboradores, 2004, parte II).
Com que frequência reavaliar?
O intervalo é decisão do profissional. O que as referências pedem é que a reavaliação repita o método, o avaliador, o aparelho e as condições da primeira, para que a diferença seja do aluno e não da medida (Heyward e Wagner, 2004; Kyle e colaboradores, 2004, parte II). No PounceFit, ao concluir uma avaliação, o profissional escolhe a data da próxima (30, 60 ou 90 dias, ou outra data), e o app cria um lembrete.
Preciso de uma ficha impressa?
Não é obrigatório, mas ajuda a manter a mesma ordem em todas as avaliações. Há uma ficha de avaliação física grátis em PDF, com as 7 dobras de Jackson & Pollock, perímetros e pressão.
Fontes
- Riebe D, Franklin BA, Thompson PD, Garber CE, Whitfield GP, Magal M, Pescatello LS. Updating ACSM's recommendations for exercise preparticipation health screening. Medicine and Science in Sports and Exercise. 2015;47(11):2473-2479. doi:10.1249/MSS.0000000000000664
- American College of Sports Medicine. ACSM's guidelines for exercise testing and prescription. 11. ed. Filadélfia: Wolters Kluwer; 2021.
- Kyle UG, Bosaeus I, De Lorenzo AD, Deurenberg P, Elia M, Gómez JM, et al. Bioelectrical impedance analysis, part II: utilization in clinical practice. Clinical Nutrition. 2004;23(6):1430-1453. doi:10.1016/j.clnu.2004.09.012
- Stewart A, Marfell-Jones M, Olds T, de Ridder H. International standards for anthropometric assessment. Lower Hutt: International Society for the Advancement of Kinanthropometry; 2011.
- World Health Organization. Waist circumference and waist-hip ratio: report of a WHO expert consultation, Geneva, 8-11 December 2008. Genebra: WHO; 2011.
- Heyward VH, Wagner DR. Applied body composition assessment. 2. ed. Champaign: Human Kinetics; 2004.
- Jackson AS, Pollock ML. Generalized equations for predicting body density of men. British Journal of Nutrition. 1978;40(3):497-504. doi:10.1079/BJN19780152