Frequência cardíaca máxima e de reserva: como calcular
Por Equipe PounceFit · Atualizado em

Conteúdo técnico para profissionais de saúde e de educação física. Reproduz fórmulas e protocolos publicados na literatura científica, com as fontes no fim da página. Não é uma recomendação e não substitui o julgamento do profissional que faz a avaliação.
A frequência cardíaca máxima (FCmáx) é calculada pela idade: a fórmula clássica é 220 - idade, e a de Tanaka (208 - 0,7 × idade) é mais precisa em pessoas mais velhas (Tanaka, Monahan e Seals, 2001). A frequência cardíaca de reserva (FCR) é a FCmáx menos a frequência de repouso, e o método de Karvonen usa essa reserva para calcular a frequência de treino: FC de repouso mais um percentual da reserva (Karvonen, Kentala e Mustala, 1957).
Qualquer estimativa por idade tem erro de cerca de 10 batimentos por minuto para um indivíduo (Robergs e Landwehr, 2002; Nes e colaboradores, 2013). O PounceFit, app de avaliação física para personal trainer, calcula a FCmáx por 220 - idade e mostra a FC de reserva quando a frequência de repouso é informada.
As fórmulas por extenso
Idade em anos, frequências em batimentos por minuto (bpm).
Frequência máxima, fórmula clássica (atribuída a Fox, Naughton e Haskell, 1971):
FCmáx = 220 - idade
Frequência máxima, Tanaka (Tanaka, Monahan e Seals, 2001):
FCmáx = 208 - 0,7 × idade
Frequência máxima, Gellish (Gellish e colaboradores, 2007):
FCmáx = 207 - 0,7 × idade
Frequência de reserva:
FCR = FCmáx - FC de repouso
Frequência de treino, método de Karvonen (Karvonen, Kentala e Mustala, 1957):
FC de treino = FC de repouso + intensidade × FCR
A intensidade entra como fração: 60% vira 0,60.
De onde vêm as fórmulas
A 220 - idade não saiu de um estudo com regressão. Robergs e Landwehr (2002) reconstruíram a história: ela resultou da observação de dados de cerca de 11 referências, reunidos num artigo de revisão de 1971 (Fox, Naughton e Haskell, 1971), e se espalhou pelos livros sem ter saído de uma pesquisa original. O erro padrão das estimativas de FCmáx por idade fica entre 7 e 11 bpm (Robergs e Landwehr, 2002).
Tanaka, Monahan e Seals (2001) reuniram 351 estudos, com 18.712 pessoas, e chegaram a 208 - 0,7 × idade. A equação foi confirmada num estudo de laboratório com 514 adultos saudáveis e não variou entre homens e mulheres nem com o nível de atividade física. Gellish e colaboradores (2007) acompanharam 132 pessoas em testes repetidos ao longo de 25 anos e chegaram a 207 - 0,7 × idade, quase a mesma reta. No estudo norueguês HUNT, com 3.320 adultos saudáveis, a melhor equação foi 211 - 0,64 × idade, com erro padrão de 10,8 bpm (Nes e colaboradores, 2013).
Zonas de intensidade pela reserva
O ACSM classifica a intensidade do exercício aeróbio pelo percentual da FC de reserva (Garber e colaboradores, 2011, Tabela 5):
| Intensidade | % da FC de reserva |
|---|---|
| Moderada | 40 a 59% |
| Vigorosa | 60 a 89% |
Exemplo resolvido
Aluna de 50 anos, FC de repouso de 70 bpm, quer treinar a 60% e a 80% da reserva.
- FCmáx por 220 - idade: 220 - 50 = 170 bpm.
- FCmáx por Tanaka: 208 - 0,7 × 50 = 208 - 35 = 173 bpm.
- FC de reserva (com 220 - idade): 170 - 70 = 100 bpm.
- Treino a 60%: 70 + 0,60 × 100 = 130 bpm.
- Treino a 80%: 70 + 0,80 × 100 = 150 bpm.
Com Tanaka, a reserva seria 173 - 70 = 103 bpm, e a faixa de 60 a 80% iria de 131,8 a 152,4 bpm (arredonde para 132 a 152). Para esta aluna, a escolha da fórmula muda a zona em 2 bpm. Aos 70 anos, a diferença entre as duas FCmáx sobe para 9 bpm (150 contra 159).
No PounceFit, esta aluna veria "170 / 100 bpm": FCmáx por 220 - idade e FC de reserva. A zona de treino pelo método de Karvonen você calcula a partir desses dois números.
Por que usar a reserva e não só a máxima
Dois alunos de 50 anos têm a mesma FCmáx estimada, 170 bpm. Um tem FC de repouso de 55 bpm, o outro de 80 bpm. A 70% da FCmáx, os dois treinariam a 119 bpm. Pelo método de Karvonen, a 60% da reserva, o primeiro treinaria a 124 bpm (55 + 0,6 × 115) e o segundo a 134 bpm (80 + 0,6 × 90). A reserva leva em conta o ponto de partida de cada um. Foi com esse raciocínio que Karvonen, Kentala e Mustala (1957) observaram efeito de treino a partir de cerca de 60% da reserva.
Limites
- Erro individual. Um erro padrão de 10 bpm significa que, para cerca de um terço das pessoas, a FCmáx real fica mais de 10 bpm acima ou abaixo da estimada. Se a zona de treino parecer fácil ou difícil demais, ajuste pela percepção de esforço.
- Medicação. Betabloqueadores e outros medicamentos que alteram a frequência cardíaca tornam as fórmulas inúteis para aquele aluno (ACSM, 2021).
- Teste máximo. A FCmáx medida num teste de esforço máximo é sempre melhor que qualquer fórmula. Quando o aluno tiver um teste ergométrico recente, use o valor dele.
- Repouso mal medido. Uma FC de repouso tirada logo depois de o aluno subir a escada muda a reserva e toda a zona de treino. Meça com calma e repita.
- Acompanhamento. A FC de repouso costuma cair com o treino aeróbio. Registre-a em toda reavaliação, sempre nas mesmas condições.
Para estimar o condicionamento aeróbio em si, veja os testes de campo de VO₂máx de Cooper e Rockport.
Perguntas frequentes
220 - idade ou Tanaka: qual usar?
Em adultos jovens as duas dão números parecidos (aos 40 anos, ambas dão 180 bpm). Com a idade elas se afastam: a 220 - idade subestima a frequência máxima de pessoas mais velhas (Tanaka, Monahan e Seals, 2001). Para alunos acima de 40 anos, a de Tanaka é a escolha mais defensável. O mais importante é usar a mesma fórmula nas reavaliações.
O que é frequência cardíaca de reserva?
É a diferença entre a frequência máxima e a de repouso. Ela mostra quanto o coração do aluno pode subir a partir do repouso e é a base do método de Karvonen para definir a zona de treino (Karvonen, Kentala e Mustala, 1957).
Como medir a frequência de repouso?
Pela manhã, antes de levantar, ou depois de 5 a 10 minutos sentado ou deitado em silêncio, sem cafeína nem exercício antes. Conte por 60 segundos ou use um frequencímetro. Tire duas ou três medidas em dias diferentes e use a média.
As fórmulas valem para quem toma betabloqueador?
Não. Betabloqueadores reduzem a frequência cardíaca no repouso e no esforço, e as fórmulas por idade superestimam a máxima desses alunos (ACSM, 2021). Nesses casos, a intensidade deve vir de um teste de esforço feito com a medicação e da percepção de esforço, com orientação do médico.
Fontes
- Fox SM 3rd, Naughton JP, Haskell WL. Physical activity and the prevention of coronary heart disease. Annals of Clinical Research. 1971;3(6):404-432.
- Robergs RA, Landwehr R. The surprising history of the "HRmax=220-age" equation. Journal of Exercise Physiology Online. 2002;5(2):1-10.
- Tanaka H, Monahan KD, Seals DR. Age-predicted maximal heart rate revisited. Journal of the American College of Cardiology. 2001;37(1):153-156. doi:10.1016/S0735-1097(00)01054-8
- Gellish RL, Goslin BR, Olson RE, McDonald A, Russi GD, Moudgil VK. Longitudinal modeling of the relationship between age and maximal heart rate. Medicine and Science in Sports and Exercise. 2007;39(5):822-829. doi:10.1097/mss.0b013e31803349c6
- Nes BM, Janszky I, Wisløff U, Støylen A, Karlsen T. Age-predicted maximal heart rate in healthy subjects: the HUNT fitness study. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports. 2013;23(6):697-704. doi:10.1111/j.1600-0838.2012.01445.x
- Karvonen MJ, Kentala E, Mustala O. The effects of training on heart rate; a longitudinal study. Annales Medicinae Experimentalis et Biologiae Fenniae. 1957;35(3):307-315.
- Garber CE, Blissmer B, Deschenes MR, Franklin BA, Lamonte MJ, Lee IM, Nieman DC, Swain DP. American College of Sports Medicine position stand. Quantity and quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory, musculoskeletal, and neuromotor fitness in apparently healthy adults: guidance for prescribing exercise. Medicine and Science in Sports and Exercise. 2011;43(7):1334-1359. doi:10.1249/MSS.0b013e318213fefb
- American College of Sports Medicine. ACSM's guidelines for exercise testing and prescription. 11. ed. Filadélfia: Wolters Kluwer; 2021.