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Bioimpedância: o que é e como funciona

Por Equipe PounceFit · Atualizado em

Resultado de uma avaliação por balança no PounceFit: percentual de gordura, massas e distribuição por segmento do corpo
Captura de tela do PounceFit

Conteúdo técnico para profissionais de saúde e de educação física. Reproduz fórmulas e protocolos publicados na literatura científica, com as fontes no fim da página. Não é uma recomendação e não substitui o julgamento do profissional que faz a avaliação.

Bioimpedância, ou análise de impedância bioelétrica (BIA), é um método que passa uma corrente elétrica pelo corpo e mede a oposição que ele faz a essa corrente, a impedância. Como a corrente é conduzida pela água com eletrólitos, e a massa livre de gordura do adulto tem cerca de 73% de água, uma equação usa a impedância, a altura, o peso, o sexo e a idade para estimar a massa livre de gordura; a gordura é o restante do peso (Kyle e colaboradores, 2004, parte I). O resultado é uma estimativa, que depende do aparelho, da equação e das condições da medida.

Resistência e reactância

O corpo oferece dois tipos de oposição à corrente (Kyle e colaboradores, 2004, parte I):

  • Resistência (R): vem dos líquidos dentro e fora das células.
  • Reactância (Xc): vem das membranas das células, que se comportam como pequenos capacitores.

A impedância é a combinação das duas. A frequência da corrente muda o caminho: em frequência baixa, a corrente quase não atravessa as membranas e passa pelo líquido fora das células; em frequência alta, passa por dentro e por fora. A 50 kHz, a frequência mais usada pelos aparelhos de uma frequência, a corrente passa pelos dois compartimentos, em proporções que variam de tecido para tecido (Kyle e colaboradores, 2004, parte I).

Da impedância à composição corporal

A base é o modelo do cilindro: a resistência de um condutor é proporcional ao comprimento e inversamente proporcional à área da seção. Daí sai que o volume do condutor é proporcional ao comprimento ao quadrado dividido pela resistência. Como é mais fácil medir a altura do que o comprimento do caminho da corrente, os aparelhos usam o índice altura² ÷ R (Kyle e colaboradores, 2004, parte I).

O corpo não é um cilindro, e por isso a relação é empírica: uma equação de regressão, feita num grupo de pessoas medidas também por um método de referência, liga o índice à massa livre de gordura. A massa livre de gordura do adulto tem cerca de 73% de água (Kyle e colaboradores, 2004, parte I).

Um exemplo de equação publicada é a de Kyle e colaboradores (2001), feita em Genebra com 343 adultos brancos saudáveis de 20 a 94 anos, com IMC de 17 a 33,8, comparados à DXA:

Massa livre de gordura (kg) = −4,104 + 0,518 × altura² ÷ R + 0,231 × peso + 0,130 × Xc + 4,229 × sexo

Altura em cm, R e Xc em ohms a 50 kHz, peso em kg; sexo = 1 para homens e 0 para mulheres. O erro padrão da estimativa foi de 1,72 kg. Com a massa livre de gordura, a gordura sai pela diferença: gordura (kg) = peso − massa livre de gordura.

Cada equação vale para a população e o tipo de aparelho em que foi feita. A ESPEN pede uma equação validada para a idade, o sexo e a etnia de quem é avaliado (Kyle e colaboradores, 2004, parte II).

Tipos de aparelho

Segundo a revisão da ESPEN (Kyle e colaboradores, 2004, parte I):

  • Uma frequência (50 kHz): o padrão de pesquisa coloca os eletrodos na mão e no pé, com a pessoa deitada. Alguns aparelhos usam outras posições, como pé a pé (as balanças) ou mão a mão.
  • Várias frequências: usam impedâncias em várias frequências, de 0 a 500 kHz, em equações empíricas para estimar massa livre de gordura, água total e água dentro e fora das células.
  • Espectroscopia: usa modelos matemáticos, em vez de só regressões, para relacionar a resistência aos líquidos do corpo.
  • Segmentar: mede braços, pernas e tronco em separado.

As balanças domésticas vêm em dois formatos principais: só pelos pés (quatro eletrodos) ou por pés e mãos (oito eletrodos). No estudo de Siedler e colaboradores (2023), com 15 aparelhos, o desempenho variou muito entre modelos. Veja balança de bioimpedância é confiável?

O que interfere na medida

A ESPEN lista os cuidados para a medida (Kyle e colaboradores, 2004, parte II):

  • Altura e peso medidos na hora, não informados pelo avaliado.
  • Jejum e nada de álcool antes da medida, bexiga vazia e nada de exercício nas 48 horas anteriores (com períodos menores aceitos na prática clínica para o jejum).
  • Medidas repetidas no mesmo horário do dia.
  • Pele limpa no local dos eletrodos.

Comer ou beber pode reduzir a impedância em 4 a 15 ohms nas 2 a 4 horas seguintes, e logo depois do exercício a resistência cai cerca de 3%. Em IMC extremo ou hidratação alterada, a ESPEN não recomenda o uso de rotina sem validação específica (Kyle e colaboradores, 2004, parte II).

Bioimpedância no PounceFit

No PounceFit, software de avaliação física, a bioimpedância entra pela balança de bioimpedância ligada pelo Bluetooth. O app recebe o peso e a impedância em ohms, calcula a composição com a altura, o sexo e a idade do aluno cadastrado e guarda a impedância bruta, para recalcular se o profissional trocar de fórmula. As balanças reconhecidas estão em balanças compatíveis.

Para comparar com o outro método de campo, veja bioimpedância ou dobras cutâneas.

Perguntas frequentes

A bioimpedância mede a gordura diretamente?

Não. Ela mede a impedância do corpo e, com uma equação, estima a massa livre de gordura e a água corporal. A gordura é calculada como o peso menos a massa livre de gordura (Kyle e colaboradores, 2004, parte I).

A corrente faz mal?

A ESPEN descreve o método como não invasivo (Kyle e colaboradores, 2004, parte II). Com marcapasso ou desfibrilador, não se espera interferência e não há incidentes conhecidos, mas a ESPEN diz que a possibilidade não pode ser eliminada e pede monitorar a atividade cardíaca nesses casos. Implantes metálicos também devem ser registrados.

O que é ângulo de fase?

É uma medida da relação entre a reactância e a resistência. Essa relação é afetada pela doença, pelo estado nutricional e pela hidratação, e o ângulo de fase já foi usado para prever desfechos clínicos (Kyle e colaboradores, 2004, parte I).

Fontes

  1. Kyle UG, Bosaeus I, De Lorenzo AD, Deurenberg P, Elia M, Gómez JM, et al. Bioelectrical impedance analysis, part I: review of principles and methods. Clinical Nutrition. 2004;23(5):1226-1243. doi:10.1016/j.clnu.2004.06.004
  2. Kyle UG, Bosaeus I, De Lorenzo AD, Deurenberg P, Elia M, Gómez JM, et al. Bioelectrical impedance analysis, part II: utilization in clinical practice. Clinical Nutrition. 2004;23(6):1430-1453. doi:10.1016/j.clnu.2004.09.012
  3. Kyle UG, Genton L, Karsegard L, Slosman DO, Pichard C. Single prediction equation for bioelectrical impedance analysis in adults aged 20-94 years. Nutrition. 2001;17(3):248-253. doi:10.1016/S0899-9007(00)00553-0
  4. Siedler MR, Rodriguez C, Stratton MT, Harty PS, Keith DS, Green JJ, et al. Assessing the reliability and cross-sectional and longitudinal validity of fifteen bioelectrical impedance analysis devices. British Journal of Nutrition. 2023;130(5):827-840. doi:10.1017/S0007114522003749